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E a cada vez um desalento

E a cada vez que eu sinto
E a cada vez que vejo
E a cada vez que me surpreendo
E a cada vez que sorrio
E a cada vez que jaza uma lágrima
E a cada vez que o mundo desaba
E a cada vez que ando mil léguas por apenas um segundo
E a cada vez que ando em um segundo mil léguas

E a cada vez que surge um pesadelo
E a cada vez que surge uma lembrança
E a cada vez que a tempestade me açoita
E a cada vez que o frio me consome
E a cada vez que sinto aversão
E a cada vez que sinto um arrepio
E a cada vez que me enterro viva
E a cada vez que sorrio distante
E a cada vez que durmo sem saber se irei acordar
E a cada vez que dou um suspiro com ânsia de vomito
E a cada vez que me sinto neutra
E a cada vez que me sinto invisível
E a cada vez que me sinto assim a cada vez mais

E a cada vez que ando pelo vale da sombra da morte
E a cada vez que me sinto só
E a cada vez que as feridas me consomem
E a cada vez que me sinto carente
E a cada vez que me sinto uma pobre indigente
E a cada vez que me sinto desprovida de algo
E a cada vez que o calor me consome
E a cada vez que amo sem ser amada
E a cada vez que me roubam algo
E a cada vez que me sinto desprotegida
E a cada vez que percebo que meu amor não está por perto
E a cada vez que sinto que quem deveria está aqui não está

E a cada vez que o véu desce sobre mim e me esconde
E a cada vez que penso no passado
E a cada vez que sou afrontada
E a cada vez que sinto que tudo está parado
E a cada vez que penso no amor que já se foi
E a cada vez que penso nas brigas constantes em meu lar
E a cada vez que penso que meu cérebro foi-se embora
E a cada vez que sinto que não posso parar
E a cada vez que sinto que perdi algo valioso
E a cada vez que penso que minha infância se foi
E a cada vez que sei que os desejos infantis eram só um começo e uma vida

E a cada vez que sinto que todos me olham, mas não me vêem
E a cada vez que lembro que passei por tudo e por nada
E a cada vez que me sinto feliz e triste
E a cada vez que caio sem cair
E a cada vez que desabo sem desabar
E a cada vez que estou sorrindo, mas por dentro quero morrer
E a cada vez que estou viva com medo de morrer
E a cada vez que quero morrer por está viva
E a cada vez que sinto que sou tudo, mas não sou nada
E a cada vez que amo sabendo que não serei amada
E a cada vez que olho distante no horizonte estando perto dele
E a cada vez que surge em minha coletânea mais uma ferida nova
E a cada vez que sinto que tudo está paradoxal

E a cada vez que sinto que estou quieta, mas estou inquieta
E a cada vez que sinto que tudo vai bem, e tudo se acaba
E a cada vez que sinto que uma ferida se sarou e depois é aberta novamente
E a cada vez que percebo que estou mais velha
E a cada vez que imagino que nem tudo está em seu lugar
E cada vez que sei que nem tudo está completo
E cada vez que sei que está faltando muito
E a cada vez que falta tanto para a felicidade total chegar
E a cada vez que escuto vozes e meu mundo pára

E a cada vez que meu dia se acaba logo no começo
E a cada vez que meu dia começa no final
E a cada vez que sinto lembranças fluírem de dentro de mim
E a cada vez que me lembro dos fantasmas do passado
E a cada vez que me lembro da dor que um dia já me assolou
E a cada vez que sei que essa ferida do passado nunca sarará
E cada vez que parece que quando toco na ferida ela volta a sangrar
E a cada vez que sinto que a ferida nunca cicatriza
E a cada vez que o fantasma chamado amor me deixou aqui esperando respostas

E cada vez que sinto depressão
E a cada vez que as lagrimas se deleitam pela minha face
E a cada vez que a ferida do meu coração sangra
E a cada vez que me lembro do mal que fiz a mim mesma
E a cada vez que vejo minhas emoções brincarem comigo mesma
E a cada vez que sinto um mundo que é só meu se transformar
E a cada vez que sei que construí um mundo só meu para me aquecer do frio
E a cada vez que sei que o fantástico mundo se foi com a minha infância
E a cada vez que sei que todos os meus talentos e emoções morreram para tentar ser o que nunca fui
E a cada vez que sei que o fantástico mundo infantil foi inundado com minhas lágrimas de sangue e dor
E a cada vez que sei que tudo isso acabou




E a cada vez que me lembro do meu lado sombrio
E a cada vez que sei que as dividas do passado ainda não foram pagas
E a cada vez que sei que parei à beira do meu caminho
E a cada vez que já vago em outro mundo, que já não é mais o infantil
E a cada vez que o mundo que vivo também não é o mundo nem dos mortos e nem dos vivos

E a cada vez que sinto tudo
E a cada vez que sinto nada
E a cada vez que tenho esperança que tudo melhore
E a cada vez que sinto que tudo passará
E a cada vez que sinto que estas feridas irão cicatrizar
E a cada vez que eu acorde e descubra que é só um sonho
E a cada vez que sei que minha maior ferida é o desalento



Autor(a): Mirella Fernanda
Temas: Vida, Felicidade, Moral
Tipo: Poesia
Avaliação:
 

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