Pequenos acontecimentos
Ontem a noite fui a praça da Matriz e lá decidi ficar um bom tempo. Sentado em um dos bancos, estratégicamente tendo toda a praça em meu campo de visão, passei a observar cada detalhe daquele lugar, o qual frequento desde a minha infância.
Procurei ativar todos os meus sentidos perceptivos: Visão, audição e mente. Em poucos minutos, deixei de ser mais um entre as dezenas de pessoas naquela praça e me tornei uma antena humana, sensível a menor vibração.
Ouvi sorrisos que antes passariam despercidos, uns falsos e outros verdadeiros. Também vi abraços calorosos e outros rápidos e sem afeto. A minha esquerda, alguns pipoqueiros conversavam alegramente, como se não existisse concorrência entre eles. Não muito longe, uma senhora que acabara de sair da igreja conversava com um garotinho, convidando o mesmo para ir a catequese.
No parquinho, pais cuidadosos brincavam com seus filhos. Ás vezes, eles mesmo tornavam-se crianças, correndo a alegrando-se com a vitalidade dos pequeninos. Quando estamos na presença de uma criança e mergulhamos em sua inocência, é o mesmo que estar na presença de um sábio.
Havia muitos casais, todos eles trazendo aquela apaixonada atmosfera. Mesmo estando distante, vi beijos serenos e ouvi palavras de carinho que pude interpretar mesmo com todo o silêncio. Seus olhos sempre procuravam uns aos outros, como se buscassem um tesouro escondido.
Sentado naquele banco de madeira, projetei minha consciência no futuro e imaginei aqueles mesmos casais em seus 50 anos de matrimônio. Será que viveriam sob a mesma atmosfera de amor? Prefiro acreditar que sim, o amor resiste a tudo.
Os carrinhos de cachorro quente eram uma festa só. O movimento aumenta aos fins de semana, não foi diferente na noite de ontem. Não havia nenhum vendedor de algodão doce, pelo menos não notei. Mas havia milho verde cozido e espetinhos de carne. Ah, do outro lado da rua tem uma sorverteria.
Sem que notasse, um grupo de amigos passa há menos de 2 metros de meus olhos. Alguns olham para mim e tentam descobri o que um cara faz sozinho no banco de uma praça, vestindo roupas quase medievais que o faz parecer um padre. Não digam que sou louco, é que ás vezes gosto de acreditar que leio a mente das pessoas.
Eles pararam nos pipoqueiros para comparem pipocas, é claro. Mas outros compraram cigarros especiais, daqueles coma aroma de menta e chocolate. Não consigo entender como as pessoas conseguem sentir prazer com algo que joga em seus corpos mais de 4 mil subistâncias tóxicas.
Eram pouco mais das 10 da noite quando decidi ir embora, estava ficando frio, mesmo eu estando vestido com roupas quase medievais. Mas antes de voltar prá casa, fui a Lanchonete Oceano e tomei um bom suco de maracujá, o que me garantiu um profunda noite de sonhos.
Alguém poderia me perguntar:
- O que você ganhou observando essas bobagens?
Bom, para muitos nada de precioso, mas para mim algo essêncial. Um dos meus exercícios é ver o mundo acontecer de várias formas e nos mínimos detalhes, seja no quintal de minha casa ou admirando as estrelas. A vida aproveita cada segundo de existência para desfilar suas poesias. A vida está repleta dos passos de Deus.
Escute, veja e sinta com sua alma; Sempre há alguma coisa acontecendo.
Por Nido Ramos.
Procurei ativar todos os meus sentidos perceptivos: Visão, audição e mente. Em poucos minutos, deixei de ser mais um entre as dezenas de pessoas naquela praça e me tornei uma antena humana, sensível a menor vibração.
Ouvi sorrisos que antes passariam despercidos, uns falsos e outros verdadeiros. Também vi abraços calorosos e outros rápidos e sem afeto. A minha esquerda, alguns pipoqueiros conversavam alegramente, como se não existisse concorrência entre eles. Não muito longe, uma senhora que acabara de sair da igreja conversava com um garotinho, convidando o mesmo para ir a catequese.
No parquinho, pais cuidadosos brincavam com seus filhos. Ás vezes, eles mesmo tornavam-se crianças, correndo a alegrando-se com a vitalidade dos pequeninos. Quando estamos na presença de uma criança e mergulhamos em sua inocência, é o mesmo que estar na presença de um sábio.
Havia muitos casais, todos eles trazendo aquela apaixonada atmosfera. Mesmo estando distante, vi beijos serenos e ouvi palavras de carinho que pude interpretar mesmo com todo o silêncio. Seus olhos sempre procuravam uns aos outros, como se buscassem um tesouro escondido.
Sentado naquele banco de madeira, projetei minha consciência no futuro e imaginei aqueles mesmos casais em seus 50 anos de matrimônio. Será que viveriam sob a mesma atmosfera de amor? Prefiro acreditar que sim, o amor resiste a tudo.
Os carrinhos de cachorro quente eram uma festa só. O movimento aumenta aos fins de semana, não foi diferente na noite de ontem. Não havia nenhum vendedor de algodão doce, pelo menos não notei. Mas havia milho verde cozido e espetinhos de carne. Ah, do outro lado da rua tem uma sorverteria.
Sem que notasse, um grupo de amigos passa há menos de 2 metros de meus olhos. Alguns olham para mim e tentam descobri o que um cara faz sozinho no banco de uma praça, vestindo roupas quase medievais que o faz parecer um padre. Não digam que sou louco, é que ás vezes gosto de acreditar que leio a mente das pessoas.
Eles pararam nos pipoqueiros para comparem pipocas, é claro. Mas outros compraram cigarros especiais, daqueles coma aroma de menta e chocolate. Não consigo entender como as pessoas conseguem sentir prazer com algo que joga em seus corpos mais de 4 mil subistâncias tóxicas.
Eram pouco mais das 10 da noite quando decidi ir embora, estava ficando frio, mesmo eu estando vestido com roupas quase medievais. Mas antes de voltar prá casa, fui a Lanchonete Oceano e tomei um bom suco de maracujá, o que me garantiu um profunda noite de sonhos.
Alguém poderia me perguntar:
- O que você ganhou observando essas bobagens?
Bom, para muitos nada de precioso, mas para mim algo essêncial. Um dos meus exercícios é ver o mundo acontecer de várias formas e nos mínimos detalhes, seja no quintal de minha casa ou admirando as estrelas. A vida aproveita cada segundo de existência para desfilar suas poesias. A vida está repleta dos passos de Deus.
Escute, veja e sinta com sua alma; Sempre há alguma coisa acontecendo.
Por Nido Ramos.
| Autor(a): Nido. Temas: Sociedade, Humanidade, Vida Tipo: Pensamento | |
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