Encontro
Sempre tem aquele momento da questão existencial, o pensar duas vezes como dizem, e tomem cuidado os desavisados, esses caminhos levam às loucuras e aos labirintos da indecisão. Antes de entrar no ônibus fico pensando se é certo o que faço, junto dessa questão vem uma total ausência de sentido nas minhas ações e também no conjunto todo, ó droga de vida também. Tem uma mulher que pelo que ouvi, faz todas as semanas uma viagem – um quarto da que eu faço – para dar aulas e manter sua família-bochechas-rosadas alegre e bem sentada nos seus sofás de TV a cabo. O homem que escolhe entre frango ou carne o recheio do seu sanduíche, e a figura de carrasco que faz o trabalhador da companhia que me apressa para tomar a decisão final. Ele segura um chicote firme e divide ordens, “você erguerá três pirâmides para enaltecer o grande firmamento!”, “que firmamento senhor carrasco?”, “aquele frágil ponto que define a vida como um grande sofrimento diário”, e depois um “tenha boa viagem meu rapaz”. Aí eu penso: “escreverei um livro para ensinar que o tal firmamento não passa de pura interpretação”.
Foi apenas alguns dias após a minha chegada, depois de visitar o sapo na pedra inspiradora, catar alguns raminhos de flores brancas mágicas de boa sorte, e finalmente perfumar todo o mundo com boas promessas, e cheirá-lo num êxtase de bem-estar absoluto, como estar nu e solitário no campo, em perfeito estágio de pureza. Ó minha linda boneca. Poderei eternizar aquele momento mágico com bonitas palavras?
Era ela do outro lado da rua a poucos passos e alguns segundos de mim (já que não só o tempo, mas distância também nos separava, mais sobre isso depois), aquela bruxinha delicada e toda de preto fritando ao sol do verão. “Magra, beleza purinha, pequena menina mulher, cabelos caracol tão lindos minha bela flor”, eu pensava enquanto ia, não calmo, mas tímido, conseqüentemente devagar na sua direção, “Mas meu bem meu bem meu bem, minha fada dourada!”.
As pessoas querem cortar as sobras, tornar tudo objetivo e bem ajustado (ou para que mais servem as calças jeans?) e elas esquecem que sobras confundem-se com essencial. É aquele cabelo longo que voa ao vento, aqueles tecidos bem cortados por mãos humanos que balançam sobre um corpo, é a minha gatinha que vem numa corrida cinematográfica pulando nos meus braços, e aquele inevitável giro alegre – aquele que põe dois mundos de volta ao eixo sagrado da pureza do amor. É o encontro meu bem, é o ápice homem atarefado, porque você continua buscando?
“Princeso”, era como ela me chamava naquela linda fala poética surreal “meu querido, quatro anos tanto tempo, tão longe, de mim, pequena, tua princesa”. Aqueles olhinhos que de tão negros não brilham! O que fizeram com essa pequena criatura pés-sujos?
“Amor, coração, florzinha negra, olhe os seus olhos! Os seus olhos não brilham!”.
“Mas meu bem, eu aqui, tão sofrida de repente te vejo, e te amo novamente, por quantas eternidades? Olhos opacos? Que importância!” – Mas é tão impressionante que eu perdi o equilíbrio.
“Três anos minha fada, não mais que isso, relóginho maluco e...” – Meio que percebendo o erro e tropeçando, me entortando de novo.
“Eu te amo, meu amor, e nessa esquininha eu montarei uma toca para nós vivermos eternamente como bichos!” – e como era doce aquela garotinha do mundo dos sonhos.
Na verdade eram três anos ao invés de quatro, acontece que naquela época eu não compreendia o mundo apressado ultra-rápido e emergencial em que ela vivia. Hoje era ontem e tudo o que ela precisava era de amor todos os dias para a tristeza não tomar conta daquele coraçãozinho tão pequeno e tão sofrido, de maneira tão importante, que o tempo demasiado grande que eu levei para compreender esses aspectos formaram o principal fator que me levou a grande desgraça. A Natizinha, Nati, Lunatiquinha, nomes que permanecem na minha memória, memórias de um mundo dos sonhos, prometo que procurarei pelo resto dos meus dias aquele lugar novamente.
Foi apenas alguns dias após a minha chegada, depois de visitar o sapo na pedra inspiradora, catar alguns raminhos de flores brancas mágicas de boa sorte, e finalmente perfumar todo o mundo com boas promessas, e cheirá-lo num êxtase de bem-estar absoluto, como estar nu e solitário no campo, em perfeito estágio de pureza. Ó minha linda boneca. Poderei eternizar aquele momento mágico com bonitas palavras?
Era ela do outro lado da rua a poucos passos e alguns segundos de mim (já que não só o tempo, mas distância também nos separava, mais sobre isso depois), aquela bruxinha delicada e toda de preto fritando ao sol do verão. “Magra, beleza purinha, pequena menina mulher, cabelos caracol tão lindos minha bela flor”, eu pensava enquanto ia, não calmo, mas tímido, conseqüentemente devagar na sua direção, “Mas meu bem meu bem meu bem, minha fada dourada!”.
As pessoas querem cortar as sobras, tornar tudo objetivo e bem ajustado (ou para que mais servem as calças jeans?) e elas esquecem que sobras confundem-se com essencial. É aquele cabelo longo que voa ao vento, aqueles tecidos bem cortados por mãos humanos que balançam sobre um corpo, é a minha gatinha que vem numa corrida cinematográfica pulando nos meus braços, e aquele inevitável giro alegre – aquele que põe dois mundos de volta ao eixo sagrado da pureza do amor. É o encontro meu bem, é o ápice homem atarefado, porque você continua buscando?
“Princeso”, era como ela me chamava naquela linda fala poética surreal “meu querido, quatro anos tanto tempo, tão longe, de mim, pequena, tua princesa”. Aqueles olhinhos que de tão negros não brilham! O que fizeram com essa pequena criatura pés-sujos?
“Amor, coração, florzinha negra, olhe os seus olhos! Os seus olhos não brilham!”.
“Mas meu bem, eu aqui, tão sofrida de repente te vejo, e te amo novamente, por quantas eternidades? Olhos opacos? Que importância!” – Mas é tão impressionante que eu perdi o equilíbrio.
“Três anos minha fada, não mais que isso, relóginho maluco e...” – Meio que percebendo o erro e tropeçando, me entortando de novo.
“Eu te amo, meu amor, e nessa esquininha eu montarei uma toca para nós vivermos eternamente como bichos!” – e como era doce aquela garotinha do mundo dos sonhos.
Na verdade eram três anos ao invés de quatro, acontece que naquela época eu não compreendia o mundo apressado ultra-rápido e emergencial em que ela vivia. Hoje era ontem e tudo o que ela precisava era de amor todos os dias para a tristeza não tomar conta daquele coraçãozinho tão pequeno e tão sofrido, de maneira tão importante, que o tempo demasiado grande que eu levei para compreender esses aspectos formaram o principal fator que me levou a grande desgraça. A Natizinha, Nati, Lunatiquinha, nomes que permanecem na minha memória, memórias de um mundo dos sonhos, prometo que procurarei pelo resto dos meus dias aquele lugar novamente.
| Autor(a): Vitor Tassinari Dornelles Temas: Amor Tipo: Estória | |
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Comentários
Gustavo Calado @ 22/01/2008 02:03:48
Queria que lesse meus textos tbm...muito bom o seu..valeu
Queria que lesse meus textos tbm...muito bom o seu..valeu



