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A Ginasta Maluca

E a semana se inicia com o presidente da “Meia Lua Calçados” estressado com seus telefonemas de cobranças, reuniões e problemas pessoais, até ele receber um que lhe interessou.

-Dona Carolina, venha já à minha sala! – falava contente, ao telefone.

Assim que Carolina, uma funcionária na fase da aposentadoria, chegou à sua sala, o presidente lhe deu um sorriso muito amigável e começou a tratá-la bem, oferecendo cafezinhos, biscoitos, canapés e chá preto. Carolina aceitou os canapés.

Mal pegara o canapé e o presidente a puxava pelo braço. A única coisa que ele pedia era para que ela o seguisse. Assim o fez. Eles iam pegar o elevador, mas, por motivos de manutenção, o mesmo estava desligado. Desceram, então, pela escada, os catorze andares, Carolina sendo puxada pelo braço e o presidente descendo rapidamente os degraus.

Carolina já estava até sem fôlego quando chegaram ao térreo. Mas, a corrida milionária não parou por aí. Percorreram por todo o estacionamento até encontrarem o carro do presidente. Um carrão negro, de última geração, importado e com um bichinho de pelúcia pendurado no vidro. Era um carro magnífico.

O presidente ordenou que Carolina entrasse no carro. Carolina perguntou aonde eles iam, mas seu chefe não quis responder, apenas insistiu que entrasse no carro. Carolina chegara a ficar preocupada achando que estava sendo vítima de seqüestro, mas como ela era uma simples funcionária, tinha que obedecer quem estivesse acima de seu cargo. Assim sendo, entrou.

Assustada, Carolina colocou o cinto de segurança. Animado, seu patrão ligou o rádio, colocou um CD do Enrique Iglesias e saiu cantando. Carolina concluíra que era seqüestro. Por isso, foi da empresa até o lugar de destino, rezando um tercinho que encontrara no bolso.

O carro saiu da Vila Virtude e andou mais quinze minutos, até chegar ao bairro de Ares Limpos. Carolina estava conhecendo o outro lado da cidade, que nunca tinha visto pessoalmente. Ainda sem entender o que estavam fazendo lá, continuava rezando para evitar que alguma desgraça acontecesse até seu chefe finalmente parar o carro.

-Muito bem, Carolina. Agora, ao invés de ir até a Meia Lua, você pegará um táxi e virá para cá todos os dias. Ah, o táxi é por nossa conta.

Carolina olhou e achando que sua vista não estava muito boa, indagou:

-Essa é uma casa de cultura. A Meia Lua agora vai trabalhar fazendo sapatilhas de balé?

-Não, sua boba. A Meia Lua não fará nada. É você que fará algo para a Meia Lua.

Como Carolina houvera dito que ainda não tinha conseguido compreender o que ela faria ali, o chefe continuou:

-Hoje, recebi um telefonema que, dentro de seis meses, haverá um concurso na cidade. Todas as empresas poderão participar com um funcionário e, você foi a escolhida.

-E que tipo de concurso é esse? E o que tem a ver com a casa de cultura?

-É uma competição de ginástica artística e você será nossa ginasta. Agora entre que você está atrasada para o treino.

No começo, Carolina achou que fosse algum tipo de brincadeira, mas viu que o negócio estava ficando sério quando seu chefe saiu, a deixando na porta da casa de cultura e uma treinadora de ginástica veio lhe dar boas vindas.

Antes mesmo que ela começasse a treinar, sabia que tinha caído do cavalo.


Autor(a): JP Hergesel
Temas: Sociedade
Tipo: Conto
Avaliação:
 

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