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A Ginasta Maluca - parte 2

Carolina saiu de casa, mas não foi para procurar emprego, pois ela já tinha um; também não foi para trabalhar, pois seu chefe não queria; ela saiu para treinar.

Seguindo as recomendações de seu chefe, ela pegou um táxi e saiu da Vila Virtude indo a Ares Limpos. Não precisou pagar o táxi que estava sendo pago pela Meia Lua Calçados. Apenas fez sua obrigação de ir até a casa de cultura.

Durante a semana toda, fora a mesma rotina. Um dia, ela aprendeu a dar cambalhotas; noutro, ela aprendeu e ficar de cabeça para baixo, mantendo-se ereta apenas pela força do braço; em outro, ela já havia conseguido fazer as acrobacias iniciais do solo. Ela estava sendo uma aluna exemplar.

Hoje, ela faria um exercício diferente. Algo que ela sempre teve medo de fazer, ela ficava apavorada mesmo vendo as ginastas fazendo aquilo, pela televisão. O que ela faria era se exibir na trave. Teria que fazer diversos movimentos com o corpo e se manter em pé numa tabuazinha de dez centímetros.

Quando a professora foi para mostrar o que ela e as outras alunas deveriam fazer, ela não conseguia nem observar e tapou os olhos, com medo. Depois, fizeram uma fila para ver quem ia primeiro. Carolina foi a última da fila.

Quando chegou a vez dela, ela inventou uma dor de cabeça e pediu para ficar sentada apenas olhando até a dor passar. A professora como era muito legal, mesmo percebendo que Carolina estava mentindo, deixou que ela esperasse até pensar estar pronta para vencer seu medo.

Sentou na arquibancada e quando olhou para o lado, deu de cara com Geraldo, o segurança da Meia Lua Calçados.

-O que está fazendo aqui? Não me diga que o patrão mandou você vir representar a empresa na ginástica masculina. Se for, aproveite que o cavalo está vazio.

-Não, estou velho demais para isso. É que hoje é minha folga e vim aqui para assistir minha grande amiga.

Carolina ficou muito feliz por saber que havia telespectadores para assisti-la, no entanto, a grande amiga da qual ele se referia era a professora.

Após algumas horas, a aula de ginástica artística de Carolina estava quase acabando, quando a professora perguntou se ela realmente não queria fazer a trave. A idosa com espírito jovem, ainda achando que Geraldo havia ido até a casa de cultura só para vê-la, respirou fundo e decidiu que faria o exercício.

Tirando coragem de um lugar que nem ela mesma sabia onde ficava, correu e num lindo salto, subiu na trave. Começou a comemorar de emoção e, esquecendo que estava numa superfície de dez centímetros, pulou de alegria. Num desequilíbrio foi ao chão.

A queda não foi suficiente para quebrar um braço ou uma perna, mas foi o suficiente para provocar uma torção no tornozelo e deixá-la fora das competições.


Autor(a): JP Hergesel
Temas: Sociedade
Tipo: Conto
Avaliação:
 

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